Avisos:

Já tentou ser feliz hoje? O que está esperando? Não espere a felicidade bater na sua porta, saia a procura dela.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

E um piscar de olhos - Capítulo XIV


Seu beijo era quente, sua pele macia, eu podia sentir suas lágrimas molharem meu rosto, ela não me evitou, se entregou ao beijo apaixonado que lhe dei, ela correspondeu da mesma forma, quando finalmente nossos lábios se separaram, ela me olhou surpresa, não dizia nada, apenas me olhava abismada.
- Eu... Você... O que foi isso? Perguntou ela acanhada.
- Um beijo.
- Eu sei! Deu pra perceber né!
- Pois então.
- Por que me beijou? Está querendo se aproveitar da minha fragilidade?
- Não Clara. Eu te beijei por que eu quis beijar. Pra ser sincero eu estou querendo isso há muito tempo. Mais do que você imagina...
- Você... É um idiota. Eu... Vou embora.
-Não, não vai. Disse segurando sua mão.
- Vou sim! Por que está fazendo isso? Por que se importar com alguém como eu? Vou acabar te trazendo problemas... Eu sempre afasto as pessoas de mim.
- Então pare.
- Eu não sei explicar. Mas tem algo em você... Algo que me empurra pra você. Eu te conheci hoje, mas sinto como se já te conhecesse há muito tempo.
- Está arrependida?
- De quê?
- De ter me beijado.
- Foi você que me beijou!
- Mas você correspondeu.
- É... Mas...
- Se arrependeu?
- Não... Mas...
- Era só isso que eu precisava ouvir. Interrompi puxando-a pra perto novamente e lhe dando outro beijo.
Apertava sua cintura como se estivesse a impedindo de partir, mas eu senti seu corpo mais leve, ela não queria mais ir embora, ela se afastou bruscamente, estava ofegante.
- Você... É maluco. Por que fez isso de novo?
- Por que correspondeu de novo? Perguntei sorrindo.
- Por que... Por que... Você me pegou de surpresa.
- Quer jantar comigo hoje?
- O que... Hoje? Eu...
- Sim. Hoje.
Eu sabia que se ela aceitasse tudo acabaria, ela não iria até aquela maldita ponte pois estaria comigo, eu finalmente conseguiria, ela ficou parada pensando, olhava para o horizonte, seu olhar transparecia confusão, ela parecia indecisa, eu ainda aguardava a resposta ansioso, ela olhou para rosa que eu havia lhe dado, respirou fundo e me olhou.
- Como foi que você entrou na minha vida? Especialmente hoje...
- Que dia melhor pra eu aparecer do que hoje? Esqueceu que dia é hoje?
- Não... Eu não esqueci. Como poderia esquecer...
- E então? Tem alguma coisa pra fazer mais tarde?
- Eu...
Ela parou, olhou nos meus olhos, eu dei um sorriso maroto, mexeu no cabelo, virou de costas e levantou a cabeça.
- Eu... Tenho algo pra fazer essa noite.
- Ah... O quê? Perguntei desapontado.
- Me arrumar pra sair pra jantar. Respondeu ela me olhando sorrindo, mas com os olhos cheios de lágrimas.
Eu sorri, meu coração parecia sambar no meu peito de tanta alegria, eu estava a um passo de finalmente dar um ponto final em todo aquele sofrimento, enfim eu daria uma quarta-feira a Clara.
- Agora eu preciso ir... Que horas... Nós... Sairemos? Perguntou ela ainda acanhada.
- Às oito. Está bem pra você?
- Está sim. Respondeu com uma voz chorosa.
- Por que esta chorando?
- Não... É que... Não é nada. Eu só...
Fui a sua direção e lhe dei um abraço, eu sabia o motivo que ela chorava, pois eu sentia a mesma emoção, pela primeira vez eu não via lágrimas de tristeza em seu rosto, aquelas preciosas lágrimas eram de felicidade.
- Obrigada Clara. Muito obrigado por me dar uma chance... Obrigado por se dar uma chance.
- Eu... Vou me arrumar. Tchau! Disse ela se afastando.
- Tudo bem. Te pego às oito.
- Ok... Tchau... Sapo!
Ela correu em direção a rua, virou e acenou pra mim, eu acenei de volta, pegou um taxi e foi pra casa, fiquei ali de pé olhando ao redor, e sem perceber, meu rosto já estava coberto de lágrimas, eu simplesmente desabei em prantos, mas aquele era o momento mais feliz da minha vida, eu só precisava ficar com ela até a meia noite, depois disso eu e ela estaríamos livres e poderíamos ser felizes juntos, dia após dia, sem repetir mais aquela terça-feira, mas ainda sim eu a tornaria eterna.
Fui em direção a minha casa, eu estava muito feliz, não parava de sorrir, subi as escadas cantarolando, encontrei o Gordon ainda arrumando sua casa, me aproximei dele e lhe dei um abraço.
- Boa noite vizinho! Disse animado.
- Lucas? Boa noite! Parece feliz.
- Não pareço! Eu estou feliz! Muito feliz!
- Que ótimo. Esse sorriso só pode ter um motivo. Uma mulher. Acertei?
- Sim! Não uma simples mulher! Ela é A mulher!
- É isso aí!
- Precisa de ajuda aí?
- Não. Já terminei. Mas obrigado.
- Tudo bem então. Vou me arrumar.
- Vai sair?
- Vou!
- Comemorar o dia dos namorados?
- Quase isso! Respondi rindo.
- Bem, vou entrar, preciso tomar um banho. Amanhã agente se fala.
- Com certeza! Amanhã!
Entrei e fui tomar um banho, escolhi a melhor roupa, o melhor perfume, assim que fiquei pronto, desci as escadas afoito, já eram 19h30min pegaria um táxi para busca-la, comecei a caminhar pela rua, estava bastante movimentada, as pessoas voltava pra casa depois de um dia de trabalho, eu procurava por um táxi, mas estava difícil de encontrar, caminhei mais um pouco, mas então o barulho dos carros, das buzinas, das pessoas, tudo simplesmente se calou, quando eu olhei ao redor, a rua estava vazia, eu estava sozinho, um silêncio tomou conta da cidade inteira, fiquei apavorado.
- Mas o que...
Eu olhava ao redor e não via ninguém, aquilo aconteceu em um piscar de olhos, fiquei confuso e perdido, um cheiro de rosas estava no ar, eu parei e respirei fundo, meu coração acelerou.
- Eu sei... Que você está aqui. Apareça! Gritei.
Olhei de um lado para o outro, então quando me virei, lá estava ela, a senhora das rosas, parada na minha frente, me olhando com um sorriso um tanto que sombrio.
- Você... Eu sabia.
- Olá Lucas. É bom te ver de novo. Precisamos ter uma última conversa.


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2 comentários:

  1. Geo, vc e esse seu Dom maravilhoso de escrever..

    mt linda essa historia

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