Avisos:

Já tentou ser feliz hoje? O que está esperando? Não espere a felicidade bater na sua porta, saia a procura dela.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Em um piscar de olhos - Capítulo XI


Aguardava ansioso sua resposta, meu estomago parecia estar recheado por borboletas, meu coração acelerou tanto que eu tinha medo que ela pudesse escutar, ela parecia confusa, indecisa, desviava o olhar, não conseguia me encarar, tive medo de que a resposta fosse não.
- E então?
- Não estou no clima pra sair.
- Não me entenda mal, não é um encontro... Só vamos conversar.
- Não sei...
- Podemos ir à um lugar qualquer.
-  acho melhor não... Disse ela empurrando sua bicicleta.
- Esta com medo?
- Medo? De quê?
- Não sei. De que você teria medo?
- De nada ora!
- Tem algum lugar pra ir hoje?
- Não...
- Tem um lugar que me chamou atenção no seu bairro.
- Que lugar?
- Aquele lago, é muito bonito.
- É lindo! Disse ela toda empolgada.
- Podemos marcar ali. O que acha? As cinco?
- Você é insistente...
- Sim,  sou. Aprendi a ser.
- Me dê um bom motivo pra ir.
- Um motivo?
- Sim...
- Nós podemos nos conhecer melhor.
- Sei... Estou indo. Disse ela montando na bicicleta.
- Te espero as cinco da tarde no lago!
- Não... Me espere.
- As cinco!
Decidi não ir atrás dela, poderia estragar tudo, fui até a banca de jornal e comprei novamente o livro “As escolhas da vida”, decidi passar o tempo lendo-o, assim passaria mais rápido, havia trechos que chamavam muita atenção nele, pareciam estar até direcionados a mim, frases como “Desistir antes mesmo de tentar é assumir-se um derrotado” e outras como “Você deve fazer tudo aquilo que acha que não consegue, pois o que move o homem é a vontade de alcançar o impossível”.
Após algumas horas lendo aquela incrível obra, decidi caminhar um pouco, já eram 16:00, logo mais eu iria até o lago torcer para que a Clara fosse, levei o livro comigo, sentei no banco na beira do lago, voltei a ler, olhei ao redor, ainda era cedo, mas não via a hora dela aparecer, a cada dez minutos eu olhava para o relógio, meu coração não se aquietava, eu estava tão ansioso que batia o pé na grama, aquele lago realmente era lindo, me fazia pensar nas belezas que o mundo guardava lá fora, eu nunca tinha parado pra pensar, morei naquela cidade minha vida toda e nunca tinha reservado um único minuto para admirar aquela beleza, nem mesmo após cinco anos repetindo o mesmo dia me importei com tais coisas, era como se aqueles cinco anos nunca tivessem passado, me preocupei com coisas fúteis e banais, festas, mulheres, bebidas, drogas e tudo que me proporcionava um prazer momentâneo, talvez fosse por isso que eu era um homem amaldiçoado, sempre pensei apenas em mim, desisti da Clara, desisti de tentar mudar o destino dela e o meu também, talvez eu merecesse passar por tudo aquilo, mas ela não.
- Sempre vi minha vida pela janela, só agora eu entendo.
Olhei para o relógio, já eram 17:00, ela não havia aparecido ainda, esperei, quando eram 17:05, pensei que ela podia estar apenas atrasada, quando já eram 17:20, pensei que ela podia estar se arrumando, mulheres demoram demais se aprontando, mas quando deram 18:00...  Soube que ela não vinha mais.
Continuei ali sentado, vi o por do sol refletir sobre aquela água cristalina, me perguntei novamente no que eu havia errado, será que tentei ser rápido demais? Será que foram minhas palavras? Será que foi o que falei? Ou o que deixei de falar? Não sabia as respostas, só sabia que deveria tentar novamente.
Levantei, decidi ir até a casa dela, subi as escadas, bati em sua porta três vezes, queria ao menos uma explicação.
- Clara? Você esta ai?
Não obtive resposta, mas eu sabia que ela estava lá, bati mais duas vezes e novamente o silencio reinava.
- Sei que esta ai... só queria saber... Por que você não foi?
Decidi ir embora, naquela mesma noite, fui até a ponte, lá descobriria o motivo pelo qual ela não foi, assim que ela apareceu, fui em sua direção.
- Clara.
- Lucas? Por que você esta aqui?
- Por que você não foi até o lago?
- Eu...
- O que  fiz de errado?! O que?!
- Vai embora...
- Responda!
- Como me encontrou aqui? Estava me seguindo?
- Sim!  te segui! só queria saber onde eu errei dessa vez... Onde?
- Você não errou em nada Lucas. Só... Vai embora.
- Me diz. O que  tenho que fazer pra você ir até aquele lago?
- Não há mais nada que você possa fazer...
- Apenas... Me diga... Se eu pudesse? O que eu deveria ter feito?
- Por que esta me perguntando isso? Que diferença faz?
- Só... Me diga...
Ela olhou nos meus olhos, começou a chorar, olhou para baixo, e antes de se jogar virou e disse:
- Por que... Você não me deu um bom motivo pra ir.
- No que? Espera! Clara!
Ela pulou sem me responder, fiquei sem entender o que ela quis dizer, olhei para o relógio, 22:19:30s, o tempo não havia avançado, ele se repetiu, não entendi, o que tinha feito de errado, não merecia mais alguns segundos? Se tivesse só mais alguns segundos eu conseguiria arrancar mais alguma coisa dela.
Nos 5 dias seguintes repeti a mesma trajetória, e todos os dias ficava esperando sentado naquele banco como única companhia aquele livro, todos os dias  ia em sua casa tentar fazê-la falar comigo, mas em vão, eu não desistia, pois desistir era me assumir um derrotado, e passei minha vida inteira sendo um, estava na hora de fazer a diferença, nos próximos dois meses eu tentei,  tinha certeza que estava fazendo tudo certo, mas sempre acabava sozinho naquele lago, e todos os dias ela morria novamente no mesmo horário, o tempo não voltou a correr, eu não ganhava mais aqueles preciosos minutos, tinha alguma coisa errada, aquilo me desanimava, fazia eu me sentir um derrotado.
Passou-se então duas semanas, e eu nunca conseguia encontrar o maldito motivo que a fizesse ir até o lago, não conseguia progresso algum, a única coisa que eu consegui foi chegar a ultima pagina do livro, estava de novo sentado naquele banco olhando o por do sol, me perguntando onde estava o meu erro, o que eu deveria mudar para conseguir mais uma chance, o que eu deveria fazer para salvar a vida daquela garota que eu tinha aprendido a amar.
Mas então, na ultima estrofe, no a ultima linha daquele livro, eu li uma frase que mudaria tudo, e o mais incrível, era que não era uma frase nova, pelo contrário, eu já tinha a ouvido a um tempo.
“ Lembre-se... Nós devemos viver um dia de cada vez, o ontem já virou passado, o amanhã é uma incerteza e o hoje...”
- Nós construímos no agora... Falei em alto e bom som levantando da cadeira.
Era a mesma frase que aquela senhora havia me dito, tinha que significar alguma coisa, não podia ser mera coincidência, deixei o livro no banco, eu sabia o que deveria fazer.
No dia seguinte, no momento em que estávamos próximos a oficina, enquanto eu tentava convencê-la a ir até o lago, eu decidi falar algo diferente, depois de muito tempo eu havia entendido uma coisa, aquela frase não era e nunca foi para mim.
- Me dê um bom motivo pra ir...
- Por que se não for hoje, eu tentarei te convencer amanhã, e depois de amanhã, e depois... E depois...
- Mas... Agente nunca sabe se vai ter um amanhã... Disse ela olhando para o horizonte.
- O amanhã é uma incerteza... Mas você tem o hoje... E o hoje se constrói no agora.
Ela olhou nos meus olhos, e pela primeira vez naquele momento que repeti inúmeras vezes, ela sorriu, montou na bicicleta, pedalou alguns metros e olhou pra trás.
- No lago... As cinco? Perguntou ela com uma voz tímida.
Meus olhos se lacrimejaram, meu coração parecia pular no meu peito de alegria, disfarçadamente enxuguei as lágrimas que estavam prestes a cair.
- Sim... Te espero lá. Respondi sorrindo.
- O que foi?
- Nada... Obrigado... Muito obrigado.
- Pelo que? Perguntou ela confusa.
- Por ter aceito.
- Espero não me arrepender...
- Não vai...
Ela sorriu e foi embora, assim que ela dobrou a esquina, dei um salto bem alto e gritei feito maluco, eu pulava, dançava, subi em um banco e gritei bem alto.
- Eu consegui caralho! Finalmente eu consegui!
Todos na rua ficaram me olhando como se eu fosse um maluco, talvez eu realmente fosse, não fazia a mínima diferença, eu só queria comemorar, finalmente eu havia conseguido, não podia esperar, fui direto para o lago, passaria o resto da tarde ali até ela aparecer, meu peito ardia, meu corpo queria continuar dando saltos de alegria, fiquei ali sentado no banco a espera daquela que virou o meu impossível a se alcançar.
Olhei para o relógio, eram 17:00 em ponto, olhei para trás mas ela não estava lá, tive medo de ter falhado mais uma vez, eu não podia crer, ela tinha que aparecer, continuei sentado, olhei para o céu e fechei os olhos.
- Deus... Por favor. Me dê só mais uma chance. Sei que não tenho sido um bom filho... Mas não estou pedindo nada por mim, peço só por causa dela... Por favor...
Senti a presença de alguém sentar ao meu lado, quando abri os olhos, tive que segurar as lágrimas com todas as minhas forças.

- Oi. Desculpa pelo atraso... Disse Clara sorrindo.


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6 comentários:

  1. adorei amor, cada dia melhor sua historia :D

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  2. Aaah cada vez apaixonada por essa história :)

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  3. Jaa me arrancou muitas lágrimas, Parabéns! ♥♥♥

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  4. Anssciooosa para o proximo capitulo :D

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  5. Eu quero esse Lucas pra mim *-*
    Perfeitoooooooooo
    Kd o proximo capitulooooooooo? Meu Deus qe perfeito '-'

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