Avisos:

Já tentou ser feliz hoje? O que está esperando? Não espere a felicidade bater na sua porta, saia a procura dela.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Em um piscar de olhos - Capítulo XII


Eu estava nervoso, não sabia o que dizer, meus olhos estavam cheios de lágrimas, a ponto de transbordar, ela sentou ao meu lado, estava linda com um vestido branco. Ela olhou para mim, reparei que ela não usava maquiagem, mas isso não diminuía sua beleza, muito pelo contrário, mas para mim isso não fazia diferença, seu rosto angelical era lindo de qualquer maneira.
- Antes de qualquer coisa... Isso não é um encontro! Disse ela me olhando com aquela cara de brava.
- Eu... Sei. Calma aí.
- Acho bom você entender isso.
- Eu entendo. Disse sorrindo.
Fiquei calado, tentava pensar no que dizer, mas não surgia nada em minha mente, meu coração tinha tanto a dizer, mas minha boca se negava a falar, perto dela eu perdia as palavras.
- E então? Vai ficar aí calado? Perguntou ela.
- Não. Desculpe, é que eu estou surpreso.
- Por quê?
- Por você ter vindo.
- Ué...
- Obrigado.
- Pelo quê?
- Por ter vindo.
- Você agradece demais. Isso é chato.
- Desculpe.
- Também se desculpa demais. Isso também é chato.
- Ah é. Então não falarei nada.
- Mas chato ainda. Disse ela sorrindo.
Eu ri, ela também riu, eu estava muito feliz, animado, feliz por ela estar ali, feliz por eu ter conseguido, ela olhava atenta para o lago, parecia o admirar de uma maneira diferente, mas eu sentia de alguma forma que algo a incomodava.
- E então... O que achou do lago? Perguntou ela olhando para o horizonte.
- Magnífico. Tornou-se meu melhor amigo.
- Como assim? Achei que fosse a primeira vez que você tivesse vindo aqui.
- Bem... E é. Mas eu o vi de longe antes.
- Sei...
- Estou feliz por você estar aqui.
- Que bom. Sapo.
- Por que ainda me chama assim? Meu nome é Lucas.
- Prefiro sapo.
- Por quê?
- Por que você parecia um quando caiu da bicicleta. Respondeu rindo.
- Ah tá. Aquilo foi culpa sua.
- Minha?! Você que estava me perseguindo.
- Não estava. Eu só... Queria me explicar.
- Eu sei. Mas que foi engraçado, isso foi.
Ela riu, eu apenas a admirava, ficava imaginando o por que daquela garota tão linda, desejar tanto a morte, não percebi que estava encarando ela demais, ela notou e ficou envergonhada, virou o rosto em direção ao lago.
- Você me olha demais. Não gosto.
- Por quê? É que... Você está linda.
- Obrigada... Disse ela olhando para o chão.
- De nada. Mas é a verdade. Você é linda.
- Tá eu já entendi. Pode parar.
- Desculpe.
- Para de se desculpar garoto.
- Você é complicada sabia?
- Não, não sou.
- Esse lugar é realmente lindo não é? Bom lugar pra conversar.
- É... Bom lugar pra pensar... Respondeu olhando fixamente para o lago.
Eu vi em seus olhos uma sombra de tristeza, mesmo por fora ela aparentando estar perfeitamente bem, eu podia ver em seu olhar o quanto ela estava amargurada, eu só precisava saber o motivo.
- Está tudo bem?
- Sim.
- Você... Demitiu-se?
- Sim. Ela respondeu em voz baixa.
- Por que afinal você fez isso?
- Já disse o porquê, não quero falar disso.
- Vamos lá...
- Já disse que não quero falar disso... Se for assim eu vou embora. Disse ela se levantando.
- Não... Espera. Desculpa.
Ela olhou pra mim, respirou fundo e se sentou novamente.
- E você... Faz o que da vida?
- Sou secretário de um escritório de advocacia.
- Legal...
- Não é tão legal assim... Mas é meu ganha pão.
- Você não gosta?
- Gosto... Mas não é meu emprego dos sonhos.
- Sei bem como é.
- Você não gostava do seu não é?
- Vai voltar a falar disso? Que garoto chato.
- Tá. Desculpa. Eu ri.
- Qual a graça?
- Você consegue ficar linda até quando esta brava.
- Para com isso. Você acabou de me conhecer.
- E daí?
- Como pode dizer isso?
- Digamos que... Sou um cara observador.
- Sei... Você não vai trabalhar hoje?
- Bem... Eu... Estou de folga hoje.
- Legal.
- Se eu tivesse uma namorada. Dava pra eu passar o dia inteiro com ela.
- Claro. Ela riu.
- Pois é... Mas encontrei alguém legal pra passar o dia.
- Sério? Que bom. Ela riu novamente.
- Quer ir ao parque comigo?
- Não sei... Eu...
- Vamos. Vai ser legal.
- Eu já disse que isso não é um encontro.
- Eu sei que não. Mas ir ao parque vai tornar um encontro?
- Não!
- Pois bem. Então vamos. Levantei e a puxei pela mão.
- Calma aí. Eu...
- Vamos.
Ela sorriu, caminhamos juntos até o parque, não era muito longe, ela estava um pouco afastada de mim, caminhava ao meu lado, mas parecia ter medo de se aproximar, conversamos um pouco mais antes de chegar ao parque, eu ainda sentia em seus olhos uma enorme tristeza. Ela sempre evitava falar de sua vida, toda vez que eu perguntava ela mudava de assunto, mas eu precisava saber, assim que chegamos ao parque, ela parou e olhou ao redor.
- Chegamos. Vamos sentar.
Sentamos em um banco, ela estava afastada de mim, me aproximei mais, ela se afastou mais ainda, parecia nervosa, inquieta, mexia nos cabelos o tempo todo, olhava ao redor, parecia estar incomodada.
- Tem algo de errado? Perguntei.
- Não... É que...
- Fala.
- Tem muita gente...
- Realmente...
- Não curto muito lugares movimentados demais...
- Faz assim... Finja que todos são sapos.
- O quê? Seu besta. Disse ela rindo.
- Você tem um sorriso lindo Clara!
- Obrigado... Sapo.
Aos poucos fui aproximando minha mão da dela, bem devagar toquei meu dedo no dedo mindinho dela, ela o afastou, tentei mais uma vez com cuidado e ela não moveu a mão, aos poucos fui pegando em sua mão, e dessa vez ela deixou, meu coração disparou, ela virou o rosto para o lado, mas eu conseguia ver suas bochechas rosadas, eu fiquei tão feliz naquele momento.
De longe, eu vi a senhora que vendia rosas, dessa vez eu finalmente compraria uma rosa em sua mão e daria a Clara.
- Espera aqui, já volto.
- Mas... Aonde você vai?
- Já volto. Não demoro.
- Ok...
Levantei e fui em direção a velha senhora, ela estava sentada com seu cesto de rosas, me aproximei e tirei a carteira do bolso.
- Boa tarde. Quanto custa uma rosa?
- Boa tarde meu jovem. São apenas cinco reais.
- Quero uma.
- É pra namorada?
- Espero que sim. Respondi sorrindo.
Ela me deu a rosa, peguei com todo cuidado e paguei.
- Obrigado. Fique com o troco. Disse virando em direção a Clara.
- De nada. Boa sorte Lucas. Disse ela.
Caminhei animado, estava nervoso, mas então venho algo em minha mente, parei, minhas pernas tremeram, meu coração acelerou, fiquei pálido e imóvel.
- Mas... Espera... Eu... Não disse meu nome a ela.



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