Avisos:

Já tentou ser feliz hoje? O que está esperando? Não espere a felicidade bater na sua porta, saia a procura dela.

sábado, 21 de junho de 2014

Em um piscar de olhos - Capítulo XVI


Aquelas palavras pareciam uma flecha atravessando meu peito, em suas mãos estavam duas rosas, duas escolhas, dois caminhos, dois destinos, eu tinha que decidir, não poderia esquivar disso.
Eu definitivamente amava a Clara imensamente, queria ficar ao seu lado, ouvir sua voz, ver seu sorriso, a maciez dos seus lábios, o calor do seu abraço, ouvir as batidas do seu coração, queria tanto vê-la todos os dias, mas ao mesmo tempo, não poderia ignorar o fato de ela estar presa naquela repetição de dor. Todos os dias ela acordaria com sede de morte, com o coração ferido e amargurado, todos os dias eu teria que tentar diminuir sua dor, mas ainda sim eu teria que vê-la morrer de algum jeito, eu só queria poder escolher ambas as rosas, queria ficar com ela e ao mesmo tempo salvá-la, eu fiquei olhando para aquelas rosas como se olhasse pela janela do meu futuro.
- E então? Você só tem uma escolha.
- Antes de passar por tudo isso, sem perceber, minha vida já era um déjà vu, eu fazia as mesmas coisas todos os dias e não buscava apreciar mais o que a vida tem a oferecer, nunca procurei outro amor, achava que romance era perda de tempo, não fui atrás dos meus sonhos, das minhas metas, nunca fui à busca da verdadeira felicidade, e quando eu finalmente a encontrei terei que abrir mão dela pra ver quem eu mais amo feliz. Respondi pegando a rosa branca.
- Tem certeza disso? Esta ciente das consequências não é?
- Sim.
- Então você fez sua escolha. Não pode mais voltar atrás, pois nunca mais sua vida terá replay. Boa sorte... Lucas.
De repente, a rua voltou ao normal, os carros e as pessoas reapareceram, e a senhora das rosas sumiu e deixou em minha mão à rosa branca, fiquei olhando para ela, como algo tão delicado poderia decidir o rumo da minha vida, no final das contas eu iria vencer, mas ao mesmo tempo perderia tudo.
Fui em direção a casa da Clara, caminhava lentamente com os pensamentos desabrochando aos poucos em minha mente, lembrei-me de tudo que havia passado, de todas as escolhas que fiz, se tudo poderia ter sido diferente, olhava para aquelas pessoas na rua, sabia o que cada uma faria, já havia memorizado cada detalhe, por mais absurdo que pareça, eu sentiria falta daquela terça-feira, sentiria falta de passar pelas mesmas coisas, simplesmente por estar ao lado dela, por que para mim sempre seria a primeira vez, não importa quantas vezes fosse necessário repeti-las, o importante é fazer brotar aquele sentimento no coraçãozinho dela.
- Droga... Droga... Repetia enquanto caminhava.
Aquela rosa parecia pesada em minha mão, era o peso da minha vida, das minhas decisões, porém como aquela senhora disse, eu havia feito a minha escolha, não podia voltar atrás. Quando avistei o prédio da Clara, meu coração apertou, meu corpo enrijeceu, parecia não querer se mover, minha mente dizia para as pernas pararem, mas meu coração as fez caminhar em direção a campainha.
Apertei a campainha, o som dela tocar nunca foi tão melancólico, eu sentia emergir de dentro de mim uma vontade de dizer tudo a ela, contar toda a verdade, mas de nada adiantaria, só iria perder a última chance de estar com ela, de vê-la sorrir, de fazê-la feliz nem que seja pela última vez.
Ouvi seus passos descendo as escadas, pelo som eu sabia que ela usava salto, vi seus pezinhos descendo os degraus e lentamente fui vendo o que ela vestia e me deslumbrei ao ver o quanto ela estava linda.
- Nossa... Você... Está linda.
- Sério? Eu... Bem... Obrigada. Disse ela encabulada.
- Eu jamais esquecerei essa imagem.
- Como assim? Faz tempo que não me arrumo pra sair... Que bom que gostou. Você também está lindo.... Olha! Mais uma, é pra mim? Perguntou ela olhando pra rosa com um sorriso no rosto.
- Bem... Fiquei olhando para a rosa, meus olhos começaram a lacrimejar, minha boca ficou seca, minha garganta simplesmente travou, se eu falasse mais alguma coisa meus olhos iriam transbordar.
- Obrigada. Poxa, que linda, já sei!
Ela pegou a rosa da minha mão e a pôs no meu terno, ficou passando a mão na gola e a ajeitou, olhou nos meus olhos e sorriu, aquele sorriso era a minha derrota.
- Está tudo bem? Perguntou ela desconfiada.
- Sim... Está. Vamos?
- Claro. Mas, para onde nós vamos mesmo?
- Jantar.
- Sei... Tudo bem.
Fomos até o portão, ela segurou na minha mão, estava tão feliz de estar ao seu lado, mas ao mesmo tempo meu coração se partia em mil pedaços, caminhamos juntos pela calçada, o restaurante não era longe, dava perfeitamente para ir a pé, eu não dizia uma palavra, estava me desmontando por dentro, eu sentia sua mão macia sobre meus dedos, seu perfume era delicioso e delicado, ela era mesmo uma preciosidade.
- Suas mão estão frias e geladas. Não me diga que você está mais nervoso que eu? Perguntou ela rindo.
- Um pouco...
- Relaxa sapo. Se você tropeçar e cair de novo eu te ajudarei a se levantar, só não ligue se eu me acabar de rir depois.
- Você hein.... Disse eu sorrindo.
- Finalmente deu um sorriso! Você estava muito sério.
- Clara... Eu...
- O quê?
- Eu... Quero que essa noite seja muito especial pra você.
- Já está sendo sapo. Já está sendo...
Chegamos ao restaurante, estava bastante movimentado, olhei as horas, 20h40min, sentamos na terceira mesa e pedi o menu, ela parecia nervosa e ao mesmo tempo muito feliz, totalmente diferente daquela clara a qual eu via todos os dias, isso me aliviava, ao menos eu poderia ter certeza que a libertaria daquele sofrimento, para sempre.
- Clara.
- Sim?
- Nada... Eu só gosto de dizer seu nome.
- Seu bobo. Cuidado com minha rosa, você é o guarda-costas dela.
- Ah... Sim... Eu a protegerei, assim como fiz com você.
- Ham?
- Boa noite. O que gostaria de pedir senhor. Perguntou o garçom trazendo o menu.
- Pra começar, uma taça de vinho, e o melhor prato da casa.
- A senhorita vai querer o mesmo?
- Sim. Disse clara um tanto acanhada.
- Querem que eu traga já o vinho?
- Pode trazer. Respondi.
Assim que ele saiu, Clara respirou fundo, olhou ao redor, enquanto isso eu a admirava, ela estava estonteante, seus cabelos brilhavam mais que a luz das velas que iluminavam aquele lugar, usava um lindo vestido preto que combinava com o tom de sua pele, aquele rosto angelical parecia confuso e tímido perto de tantas pessoas.
- O que foi? Não gostou daqui? Perguntei.
- Não é isso... É que faz tempo sabe...
- Eu entendo. Queria te trazer ao melhor lugar que conheço.
- Você vem sempre aqui?
- Já vim o bastante.
- Você fala de um jeito estranho. É cheio de segredos.
- Clara... Deslizei meus dedos sobre sua mão.
            Ela olhou pra mim envergonhada, sua mão ficou gelada, fui lentamente entrelaçando meus dedos nos dela. Naquele momento eu decidi revelar tudo a ela, desde o início, se era para perdê-la para sempre, eu iria ao menos lhe contar toda a verdade, talvez assim quem saiba eu conseguiria mudar mais uma vez o rumo das coisas, não podia perder as esperanças, era hora de dizer a ela tudo.
- Eu... Preciso te contar uma coisa...


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