Avisos:

Já tentou ser feliz hoje? O que está esperando? Não espere a felicidade bater na sua porta, saia a procura dela.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Em um piscar de olhos - Capítulo XVIII


ATENÇÃO! VERSÃO PRÉVIA!
(Alterações podem ocorrer apenas na parte gramatical)

Meus olhos doíam muito, ouvi um som estranho, parecia um monitor cardíaco, não compreendia ainda a situação, tentei me levantar, mas meu corpo estava fraco, tinha uma mascara de oxigênio no meu rosto, quando a tirei senti o ar ficar mais pesado, tentei respirar mais devagar, meu peito doía, me sentia lento e desordenado, quando finalmente meus olhos puderam ver com mais clareza, notei que eu estava em um quarto de hospital.
- Mas o que...
Tinha vários tubos e aparelhos presos no meu peito, tirei um a um com muita dificuldade pois era doloroso, quando finalmente consegui respirar normalmente, tentei pedir ajuda.
- Olá?! Alguém?! Olá?!
Logo uma enfermeira apareceu, abriu a porta fez uma cara de surpresa, parecia não acreditar, não disse nada, apenas fez sinal para eu aguardar e saiu correndo, fiquei ainda mais confuso, meu peito doía muito, meus olhos ardiam demais e era difícil mover o pescoço, era uma sensação estranha, não conseguia raciocinar direito, tudo era confuso, minha cabeça girava, logo me venho um enjoou e acabei vomitando e caí no chão.
A enfermeira voltou com dois enfermeiros e um médico, eles me  levantaram e me puseram na cama de novo.
- Tragam a fixa dele, que horas ele acordou? Perguntou o médico.
- Agora doutor. Não tem nem cinco minutos.
- Já avisaram aos parentes?
- Estão ligando nesse exato momento.
- Lucas? Como esta se sentindo? Perguntou o médico apontando uma lanterna para os meus olhos.
- Eu... Me sinto fraco... Tonto...
- A luz te incomoda?
- Sim... Onde esta a Clara?
- Clara? Já estão avisando sua família. Tenha calma. Só responda as minhas perguntas.
- Mas...
- O que mais esta sentindo?
- Meu corpo... Esta fraco.
- Entendo... É normal. Deixe me ver... Levante o braço esquerdo.
Levantei lentamente, era difícil mas eu consegui.
- Ótimo... Agora o outro.
- É difícil...
- Consegue mexer os dedos do pé?
- Sim.
- Deixe me ver.
- Esta bem.
Mexi os dedos, ele aproximou-se e ficou observando, olhei para todos no quarto, pareciam surpresos, o medico anotava alguma coisa em uma prancheta, eu estava cada vez mais confuso.
- Ótimo. Consegue dobrar os joelhos?
- Acho... Que sim.
- Mostre-me.
Dobrei com dificuldade os joelhos, minhas pernas estavam pesadas, lentamente fui levantando elas, porém parei pois era muito difícil.
- Cadê a Clara?
- Calma. Já estamos avisando a todos. Vai ficar tudo bem.
- Eu não entendo...
- Tudo pode parecer confuso agora, é normal. Mas logo tudo será esclarecido. Só fique calmo.
- Por que eu não consigo me levantar?
- Seu corpo esta fraco. É normal.
- É... Eu me sinto fraco.
- Do que você se lembra?
- Eu... Eu...
Logo veio em minha mente, o tiro, a Clara gritando, tudo parecia tão confuso, minha cabeça doía.
- Lucas? Fique comigo. Disse ele levantando minha cabeça.
- Eu... Me lembro... Dos assaltantes... Eles apareceram do nada... Eu não esperava por aquilo... A Clara... Eles iriam machuca-la... Não podia permitir... Tinha que salva-la...
- Assaltantes... Sei... Disse ele olhando para a enfermeira a sua frente.
- Eu... Levei um tiro... Eu levei...
- Tiro? Perguntou ele aparentemente confuso e surpreso.
- A fixa dele senhor. Disse a enfermeira entregando uma prancheta para ele.
- Sim... Eu levei... Espera...
Levei a mão até minhas costas, não senti o lugar do tiro, não havia nenhum curativo, ou ferimento, mas minhas costas doíam, não conseguia entender, fiquei apavorado.
- Lucas... Estou vendo seus registros aqui... Você não levou um tiro.
- O que... Como assim? Do que vocês estão falando? Cadê a Clara? perguntei começando a alterar a voz.
- Lucas... Calma... Tente se lembrar...
- Eu me lembro! Levei um tiro! Chamem a Clara! Eu quero vê-la! Cadê a Clara?! Comecei a gritar.
- Calma. Calma. Diziam todos me segurando.
- Você não pode se esforçar demais Lucas... Pessoas no seu estado costumam ficar confusas. É normal.
- No meu estado? De que porra você esta falando?!
- Doutor, a mãe dele esta a caminho.
- Ótimo.
- O que? Minha mãe?
- Sim Lucas. Não é ótimo? Ela ficará muito feliz em vê-lo acordado.
- O que? Mas que porra... Que dia... É hoje? Quarta feira? Perguntei com o coração acelerado.
- Não Lucas... Hoje... É sábado.
- O que... Por quanto tempo... Eu... Estou aqui?
Neste momento um ficou olhando para cara do outro, pareciam apreensivos, depois começaram a me olhar, nos seus olhos eu via que tinham algo pra me dizer de muito ruim.
- Lucas... Você... Estava em coma.
- O... Que...
Meu corpo travou, me arrepiei inteiro, minha boca secou e meu coração batia tão forte que achei que atravessaria o peito.
- Em... Coma... Por quanto tempo?
O medico se sentou na cama ao meu lado, olhou pra mim e pôs a mão no meu ombro, naquele momento meus olhos já estavam transbordando lágrimas.
- Cinco anos.
- Não... Pode ser... Não... Isso... Não é verdade... Não pode ser verdade!
- Calma.
- Eu fiquei em coma por causa de um tiro?! Gritei olhando pra todos eles.
- Não Lucas. Você ficou em coma todo esse tempo... Depois de cair de uma ponte tentando salvar uma garota. Respondeu ele olhando a prancheta.
- O que... A Clara... Onde ela esta? Cadê a Clara?!
- Lucas! Exclamou minha mãe abrindo a porta do quarto.
- Mãe! Cadê a Clara mãe?! Cadê ela? Me diz! Me diz! Eu gritava e chorava.
Todos olhavam um para o outro, minha mãe me abraçava em prantos, eu não podia acreditar no que estava acontecendo, eu gritava tanto que minha garganta doía.
- Cadê ela mãe?! Cadê a Clara?! Me falem!


           <<ANTERIOR                                            PRÓXIMO>>



Um comentário: