Avisos:

Já tentou ser feliz hoje? O que está esperando? Não espere a felicidade bater na sua porta, saia a procura dela.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Em um piscar de olhos - FINAL



ATENÇÃO! VERSÃO PRÉVIA!
(Alterações podem ocorrer apenas na parte gramatical)


Ela me olhava com um sorriso, estava diferente, tinha pintado seu cabelo de preto, por incrível que pareça, parecia estar ainda mais bonita do que antes, mas estava aparentemente mais velha, fiquei olhando pra ela fixamente, minha mãe olhava pra mim confusa, Clara olhou pra mim e sorriu.
- Nossa... É bom te ver de pé... Acordado e...
- Oh Clara... Fui em sua direção e a abracei.
- Filho...
- Não. Tudo bem. Então você lembra meu nome. Disse ela me abraçando.
- O que? Como eu poderia esquecer... Você... Não...
- Sentem-se. Vou deixar vocês conversarem. Disse minha mãe se retirando.
Ela se sentou no sofá, lentamente eu também me sentei a sua frente, ela ainda estava sorrindo, mas tinha algo estranho, algo que eu temia mas não queria acreditar.
- Só me avisaram ontem. Peguei o primeiro voo pra São Paulo assim que soube. Parece que você já esta ciente de quem eu sou.
- Como poderia não estar?
- Eu vim o mais rápido que pude.
- Você... Não mora mais aqui?
- Não. Depois do que aconteceu... Eu voltei pra casa.
- Voltou?
- Sim. Graças a você. Lucas... Não tenho palavras pra descrever o quanto sou grata... Você... Eu devo minha vida a você. Disse ela se emocionando.
- Clara...
Ela olhou para um jarro na sala que tinha a rosa que ela havia me mandado, já estava murcha.
- Você trouxe a rosa... Todos os dias eu mandavam te entregar uma.
- É... Eu soube.
- Me perguntei todos esses anos do por que você arriscou sua vida pra me salvar. Sempre quis te perguntar isso. Nós nem nos conhecíamos.
- Então... Você não... Lembra de mim? Perguntei com os olhos cheios de lágrimas.
- O que? Lembro! Claro que sim. Você apareceu e tentou me dar concelhos, mas eu estava tão desesperada...
Era verdade, ela não se lembrava de mim, mesmo tentando segurar as lágrimas, parecia impossível, meu coração parecia estar se desmanchando dentro de mim.
- Não... Pode ser... Não pode ser... Repetia eu diversas vezes.
- Lucas... O que foi? Esta se sentindo bem? Por que esta chorando? Meu Deus, quer que eu chame sua mãe?
- Olha pra mim. Disse segurando sua mão e olhando nos seus olhos.
- Lucas...
- Me diz... Por favor... Você lembra de mim? Você me conhece?
- Eu... Não estou entendendo.
- Não pode ser verdade... Tudo aquilo... Clara... Olha pra mim... Você não lembra de nada?
- Do que eu tenho que me lembrar?
- De nós!
- Acho que você ainda esta se recuperando. Não foi uma boa ideia eu ter vindo aqui. Disse ela se levantando nervosa.
- Não! Não vai embora! Por favor! Olha pra mim!
- Desculpa... Eu não sei do que você esta falando. Agente se conheceu naquele dia.
- Não! Não! Eu te conheço a cinco anos! Eu passei todo esse tempo tentando salvar sua vida! Eu passei todo esse tempo tentando sair daquele maldito dia! Não posso aceitar que tudo foi uma mentira! Eu...
Minhas vistas escureceram, meu corpo ficou pesado, me sentia tonto, via tudo girar ao meu redor, minha mãe ouviu meus gritos, veio correndo da cozinha e me viu prestes a cair, eu podia ouvir suas vozes.
- Lucas? Jesus! Acho que ele vai desmaiar. Dizia Clara.
- Filho! O que houve? O que aconteceu?
- Eu... Eu... Não sei... Ele...
- Clara... Clara... Repeti seu nome até finalmente cair desacordado.
De repente eu me deparei com um lugar estranho, totalmente branco e que não parecia ter um final, fiquei olhando ao redor totalmente perdido.
- Olá?! Mas que diabos...
- Olá Lucas. Disse a mulher das rosas.
- Você...
- Sim. Eu.
- Onde... Onde estamos?
- Onde? Bem... Onde acha que estamos?
- Eu não sei...
- É... Estamos onde deveríamos estar. Simples assim.
- A Clara... Ela não...
- Não se lembra de você. Eu sei.
- Por que? Por que?! O que você fez?!
- O que eu fiz? O que você fez? Não se lembra?
- O que...
- Você fez uma escolha. Olhe pra sua mão direita.
Quando olhei pra minha mão, inexplicavelmente havia uma rosa branca, quando olhei para ela imediatamente comecei a chorar.
- Você fez sua escolha Lucas. Você escolheu salva-la.
- Mas...
- O que te prendia ao coma era o seu desejo imenso de salva-la mas sempre fracassar, enquanto você continuava tentando e não conseguindo, você permanecia em coma. Desde o momento em que você caiu daquela ponte, você desejou imensamente salvar aquela garota, e foi assim até sua queda.
- Eu... Não... Pode ser.
- Se tivesse escolhido a outra rosa. Você continuaria com ela, mas... Também continuaria em coma. Para sempre.
- Você me disse... Que ela quem estava presa.
- Eu te disse muitas coisas. Mas será mesmo que você absorveu tudo?
- O que... Então... Ela não se lembra de mim? Nunca vai se lembrar?
- Não. Nunca.
Cai de joelhos, eu chorava desesperadamente, meu peito ardia de dor, eu destrocei a rosa em pedaços, espalhei suas pétalas pelo chão, assim como meu coração.
- Então... Nada daquilo... Tudo que vi... Os lugares onde eu fui... As pessoas que conheci... Tudo que passei... Tudo que senti... Tudo que toquei... Todo o meu amor... Era tudo uma mentira? nada daquilo nunca aconteceu?
Ela virou de costas, começou a caminhar, olhou lentamente pra mim e disse:
- Sim... E não.
- O que?
- Me diga... No que você prefere acreditar?
- Eu...
Acordei de repente, estava numa cama de hospital novamente, minha mãe dormia em uma cadeira ao meu lado, eu ainda chorava, meus soluços acordaram minha mãe que logo me amparou.
- Filho! Graças a Deus você acordou! Pensei que te perderia de novo.
- Mãe... Cadê ela?
- Filho...
- Onde ela esta?!
- Ela se foi...
- O que?
- Ela ficou muito assustada. Achou melhor ir embora pra não fazer você piorar.
- Mãe... Ela não lembra de mim... Ela não lembra de mim...
- Filho...
- Mãe... Eu não sei quem eu sou... Eu não sei mais quem eu sou.
- Não fale assim... Você meu Lucas. Disse ela me abraçando.
Chorei em seus braços o resto da noite, fiquei mais um dia no hospital para exames de rotina, depois daquele dia, nunca mais eu vi a Clara, ela não atendia meus telefonemas, não ligava, eu tive que aceitar, a única coisa que me sobrava dela, eram as rosas brancas que todos os dias apareciam em frente a minha porta, sempre rosas brancas, pareciam querer me lembrar da minha escolha, uma escolha que talvez eu nunca tenha feito, se eu tivesse escolhido a rosa vermelha, talvez ainda estaria em coma até hoje, mas ao menos eu a veria todos os dias.
Depois de alguns meses, voltei a trabalhar no meu antigo emprego, estou pensando em entrar na faculdade, fui morar com minha mãe, estou me dando bem melhor com ela, aprendi a ver a vida de outro ângulo, estou lendo um livro sabe, é um ótimo livro, estou tentando seguir a vida, continuo fazendo o tratamento toda semana para recuperação do coma, e hoje estou aqui, com o senhor, enfim, essa é a minha historia.
- E que historia...
- Eu disse que não tinha um final feliz...
- Depende do ponto de vista.
- Sabe... O que mais me dói... É nunca saber se tudo aquilo... Realmente aconteceu um dia... Ou se foi tudo minha imaginação enquanto eu estava em coma. Droga. Desculpa, estou chorando de novo.
- Tudo bem Lucas. É natural se emocionar.
- O que o senhor acha? É uma historia maluca não é? No que eu deveria acreditar?
- Bem... Como psicólogo... Eu devo lhe dizer que já atendi dezenas de pacientes na mesma situação que você, pessoas que passaram anos, décadas em coma, e que quando acordaram disseram ter visto e ido a lugares extraordinários, vivido situações nunca imaginadas, ou até em épocas diferentes, viajando para o futuro e as vezes para o passado, perdidos no tempo... Em alguns casos, eles afirmaram ter ido a lugares que realmente existem! Mas que eles nunca tinham ido ou visto estes lugares antes de estar em coma, algo que nem a própria ciência pôde explicar... Mas como seu psicólogo deveria lhe dizer que tudo não passou de um sonho... E que toda essa sua experiência foi apenas seu cérebro agindo e lhe mantendo vivo, sem isso, talvez você estaria naquela cama ainda ou até pior, poderia ter morrido.
- É... Como imaginei...
- Mas quer saber... Como um amigo... Devo dizer... Pra você acreditar naquilo que te faça sentir melhor.
- Obrigado...
- Acho que terminamos por hoje. Você esta liberado. Obrigado por compartilhar sua historia comigo Lucas.
- Eu quem agradeço.
Neste momento Lucas retorna pra casa, era uma tarde ensolarada, ele caminhava tranquilamente, quando de longe, avista alguém na porta de sua casa, era uma garota, ele já sabia quem era, ao se aproximar ela vira-se e olha em seus olhos.
- Dessa vez. Eu trouxe a rosa pessoalmente. Disse ela lhe entregando uma rosa branca e vermelha.
- Isso... É...
- Achei que poderia estar cansado das rosas brancas. Resolvi... Diferenciar um pouco. Gostou?
- Não... Eu adorei...
- - Você me perguntou se eu te conhecia. Não. Eu não te conheço.
- Eu...
- Prazer. Clara Sampaio. Disse ela estendendo a mão.
- Prazer... Lucas Rocha.  É um prazer conhece-la. Clara... Disse ele apertando sua mão com os olhos repletos de lágrimas.

FIM

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